topo








 blurbox.reportagens

Early Crisis
    The aftermath: Damon, Graham Coxon, James Hibbins e Paul Stevens. Real Lives: Damon, Graham, Paul Stevens e Alistair Havers. Coxon, que tocava sax em outra banda, Hazel Dean and the Carp Enters From Hell, entra temporariamente no Idle Vice, e lá conhece o baterista Dave Rowntree. Dave se muda, Graham vai pra Goldsmith e lá conhece um estudante de Francês chamado Alex James. A teia de relações está formada, mas ainda falta muito para a formação do Blur. Damon, que na época estava fazendo um curso de música na Goldsmith, trabalhava no estúdio Beat Factory e começou a tocar com os donos do estúdio, Graham Holdaway e Maryke Bergkamp, no Two's a Crowd. Com o fim dessa banda, Damon e seus amigos Tom Aitkenhead, Eddie Deedigan, Dave Filkins e Dave Brolan montam o Circus. Damon consegue então marcar uma apresentação no centro de artes de Colchester e convida seu amigo de infância Graham Coxon, q vai ao show e leva com ele Dave Rowntree e o apresenta à banda. Em Outubro de 88, Dave Rowntree se torna o baterista do Circus, que agora era um quinteto. Antes da banda gravar sua primeira demo na Beat Factory, Darren Filkins, o guitarrista , deixa o grupo. Damon então entra em contato com Coxon e em Janeiro de 89 gravam 4 músicas: Salvation, Happy House, Elizabeth e She Said. Depois da gravação, a banda faz uma festa e Alex James, a convite de seu colega da Goldsmith Graham, resolve ir. Pela primeira vez, os 4 do Blur estavam juntos na mesma sala. Damon pergunta a Alex o que ele tinha achado da demo e ouve sua opinião: 'Bem, é uma merda. Porque você não canta sobre alguma coisa com a qual você se importa, algo perto do seu coração?'. É, o primeiro encontro não foi muito bom, mas logo eles precisariam de um baixista, pois Dave "demitiria" Eddie e seu amigo Brolan - aliás, Dave ainda tem esses seus momentos, normalmente demitindo o tour manager ou algo do tipo. Damon, Graham, Dave e Alex estavam juntos, mas ainda precisavam de um nome. Tirado de alguns contos de JD Salinger, Seymour foi a escolha (antes, ainda usaram o nome The Beads).
    No final de 89, Seymour entrou no estúdio pela primeira vez, e lá tocaram She's so High juntos. Sing, Long Legged, Fried, Dizzy, Mixed Up, Tell Me Tell Me e Shimmer datam desses primeiros encontros do Seymour. Eles começaram então a se apresentar e o seu lema em palco era 'beba o quanto puder e veja o que consegue fazer'. E foi em um desses shows que a banda entrou em contato com Andy Ross da Food Records. Ross e seu sócio Dave Balfe tinham ouvido She's So High em uma fita dada pelo pessoal da Beat Factory, mas foi ao vivo que Ross percebeu o potencial da banda. A Food então decidiu assinar com eles, mas com uma condição: que mudassem de nome. Alguns foram sugeridos, como The Government, The Shining Path, Sensitize, Whirpool, mas foram dispensados quando Balfe apareceu com o nome Blur. Assinaram o contrato (que hoje Dave julga como sendo um os piores record deals da história - e provavelmente ele está certo!) de 7 discos por 5000 libras em Março de 1990.
    Partiram então para os shows organizados pela Food, já que Balfe e Ross não queriam lançar nada da banda até eles construírem uma reputação na cena musical londrina (em outras palavras, até eles aparecerem na capa de alguma revista). Então, em julho de 90, debaixo da manchete 'Young, loud and shotty' lá estavam eles na capa da Sounds em matéria escrita por Leo Finlay, jornalista que se tornaria um grande companheiro da banda (até sua trágica morte em 97). Não é novidade uma banda sem nada lançado aparecer na capa de uma revista musical - Frankie Goes To Hollywood tinha feito isso antes e Suede, ironicamente, faria depois. Mas é uma raridade.
    Passaram a dividir seu tempo entre tours e sessões de estúdio. Importante ressaltar que, ainda sem empresário e sem suporte para as turnês, a banda ia para os shows de carona numa van VW de um colega. Quando finalmente a EMI (que tinha um acordo com a Food) os ajudou nas turnês, as coisas não melhoraram tanto assim. Alex estava sempre chapado, fumava maconha o dia inteiro, o resto da banda bebia sem parar e sempre levavam uma caixinha com ácido - tudo isso com o apoio de Gimbo, o novo tour manager. Em 90, ainda antes de lançarem o álbum, conheceram Mike Smith da MCA e em Agosto de 90, a banda assinou com Smith + MCA um publishing deal de 80000 libras. Embora uma quantia modesta par os padrões de hoje, na época era o suficiente, principalmente se considerarmos o contrato feito com a Food, que envolvia praticamente nenhum dinheiro. Agora, eles tinham o record contract e o publishing deal. Só faltava o álbum.
    Em 15 de Outubro de 1990, o Blur lançava o single "She's So High", um sucesso de crítica. A Music Week disse que o single era simplesmente brilhante, a NME o escolheu como single of the week, a Sounds, em artigo de Leo Finley, anunciou o Blur como sendo o primeiro grande grupo dos 90. E mesmo assim, o single conseguiu uma modesta posição, número 48 nos charts. Muito disso foi devido ao vídeo dirigido por Balfe e classificado por muitos críticos como uma apologia às drogas (diziam que todos pareciam estar drogados naqueles círculos de neon e pela pupila do vocalista, definitivamente sugeriam o uso de ecstasy). Ninguém conseguia entender como um single com tão boas resenhas não conseguiu entrar pelo menos para os top 40. Organizaram então uma longa tour de divulgação com direito a muitas entrevistas a imprensa. Foi quando eles perceberam que faltava alguma coisa: um empresário.
    E tinham dois candidatos, Chris Morrison e Mike Collins. Mike Collins tinha sido empresário do Wire (sim, aquela banda punk que o elastica toca ao vivo uma de suas músicas, 12XU) e era muito ligado em art-rock. Chris Morrison, ex-empresário do Thin Lizzy), era um pouco mais sério e para a banda, até mais assustador. Para falar a verdade, eles não tinham a menor idéia de como um empresário deveria ser e muito menos de como eles deveriam escolher um. Dave admite: "Nós não tínhamos noção alguma. Então 'hohoho, típico da gente, vamos ver quem nos paga o melhor jantar'. Isso parecia um bom critério para nós e Mike tinha, de longe, pago o melhor. Nós deveríamos Ter percebido que aquele que paga o pior jantar e que fala mais tem muito mais a dizer do que aquele que está mais interessado na carta de vinhos." E assim, o Blur tinha um empresário, Mike Collins. "Nós havíamos assinado o pior record deal do mundo, comíamos a pior pizza do mundo e agora tínhamos o pior empresário do mundo", avalia Alex agora.
    Depois de uma turnê de 21 dias, a banda entrou no estúdio para gravar o 2º single, mas as coisas pararam de funcionar. A EMI começou a pressioná-los e os produtores, Steve Power e Steve Lovell, não conseguiam o resultado que a banda queria. É nesse momento que o produtor Stephen Street entra na história. Street, ex-produtor dos Smiths conheceu o blur assistindo um programa chamado Jukebox Jury, uma espécie de Late with Jools Holland de outrora e ficou impressionado. Street decidiu então entrar em contato com a banda e assim produziu algumas de suas músicas. Logo na primeira sessão, Come Together e There's no Other way surgiram e a última foi escolhida para ser o 2º single. TNOW entrou nos charts no 20º lugar e foi subindo até o número 8. De dia para noite, eles tinham se tornado popstars. Nessa época, Damon conheceu Justine e a banda passou a ser habitueé do Syndrome, pub localizado no número 68 da Oxford Street. Lá se encontravam com outros popstars como Courtney Love e Kurt Cobain, Lush, Bernard Butler e qualquer outro que quisesse participar da cena londrina. Com certeza eles estavam se divertindo. Mas não por muito tempo.
    O 1º sinal de que tinha alguma coisa de errado com o esperado sucesso da banda veio com o lançamento do 3º single da banda, Bang. "Tem alguma coisa em Bang que faz dele uma merda", Damon diagnostica agora. Alex diz que Bang é e era um lixo. Dave, gostaria de se certificar que Bang nunca entraria num Greatest Hits da banda. De fato, alcançou um decepcionante 24º lugar. Mas a banda estava satisfeita com Leisure pois era o melhor que eles poderiam ter feito debaixo de tanta pressão da Food e mais especificamente, de Dave Balfe.
    Depois de uma bem-sucedida turnê americana, eles entraram no estúdio para gravar seu segundo álbum. Foi quando perceberam que tinha alguma coisa de errado nas finanças da banda. Eles estavam sem dinheiro. Pior que sem dinheiro, na verdade. Muito pior. Eles se lembravam de ter gasto algumas centenas de libras na gravação do Leisure, mas nada exagerado. E o álbum tinha pego o 7º lugar nos charts. Eles tinham singles bem-sucedidos e eram popstars. Infelizmente seu extrato bancário mostrava outra história. Estavam faltando 40.000 libras e tinham um saldo devedor de 60.000. Praticamente todo o dinheiro ganho com Leisure tinha desaparecido e o pior, os cobradores estavam por todas as partes. Agora, o recém contratado contador da banda, Julian Hedley começou a ir atrás das finanças da banda, que até então tinham ficado nas mãos do empresário Mike Collins. A parte financeira funcionava da seguinte maneira: Quando a banda precisava de algum dinheiro, eles pediam para Collins e quando Collins ia ficar alguns dias sem ver a banda, ele pedia para Dave assinar alguns cheques para ele. E Dave, ingenuamente, assinava os cheques. Em branco. Quando a banda percebeu o que estava acontecendo, parecia ser tarde demais. Mike Collins foi então chamado para um encontro com Julian Hedley, o contador, Alistair George, advogado e Damon. Collins negou a existência de qualquer movimentação de dinheiro não registrado no banco. Mais que isso, acusou-os de conspirar contra ele. Mike foi sumariamente demitido. E até hoje, ainda não se tem certeza do que aconteceu. Quando o dinheiro não é contabilizado, têm-se duas explicações. Ou está sendo indevidamente gasto ou está sendo gasto de maneira correta e algum idiota não está guardando devidamente os recibos. Fica a dúvida.
    A banda precisava agora de profissionais competentes para sanar as dívidas e tentar salvar a banda. E precisavam, principalmente, de um novo empresário. E um velho nome veio a cabeça de todos: Chris Morrison. E assim, ele, que também empresariava o Jesus & Mary Chain, se tornou o empresário da banda.
    Morrison começou uma grande investigação e acreditava que Collins não tinha deliberadamente defraudado a banda. De qualquer jeito, ele tinha um grande problemas nas mãos: 60.000 libras em dívidas e 40.000 libras 'desaparecidas'. Então ele começou a fazer tudo o que Collins deveria ter feito. Por exemplo, enviar os recibos dos gastos com turnês para a gravadora e pedir reembolso. Conseguiu assim, 25.000 libras em 10 dias. Ele e Hedley passaram a negociar as dívidas com os credores e descobriram que nenhuma conta feita em nome da banda desde o Leisure tinha sido paga. Nem mesmo o VAT (equivalente ao ICMS) tinha sido pago. Mas as negociações continuaram e por muitos dos credores gostarem da banda, conseguiram assim chegar a acordos. Na verdade, eles estavam devendo quantias tão grandes que qualquer credor, se quisesse, poderia pedir a falência da banda, o que significaria o fim imediato do Blur.
    A banda começou então a tomar algumas providências legais contra Collins mas todos os seus bens estavam no nome de sua mulher. Por fim, ele se declarou falido e a banda teve que retirar as queixas.
    Mas o Blur estava salvo. A primeira grande crise tinha passado. Mas outras ainda estariam por vir.
   

<< voltar