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Damon para a Folha de S. Paulo
   Este colunista conversou nesta semana com o líder do Blur, o figuraça Damon Albarn, sobre o disco novo.
   
    A entrevista, feita por telefone direto de Londres, é destaque desta sexta-feira no caderno Ilustrada, da Folha.
   
    Aqui, a entrevista na íntegra, que saiu um pouco mais enxuta no jornal.
   
    Folha - Como você descreveria o novo álbum do Blur e qual você acha que será o efeito dele dentro da música pop atual?
    Damon Albarn - Eu realmente acredito que esse novo disco carrega uma mensagem nas músicas. "Think Tank" é um álbum cheio de "canções de amor politizadas". O que eu quero dizer com isso é que as músicas tentam ajudar a redefinir o que é amor, já que o foco geral agora está todo mudado, direcionado ao mundo político, ao caos que vivemos. Essa tensão guerra-não guerra, pelo menos aqui na Inglaterra, é insuportável. Todas as letras do disco falam de amor de algum modo. A gente entende como o mundo está agora, mas acho que expressões sobre amor podem ajudar um pouco as coisas a ficarem melhores, menos caóticas.
   
    Folha - O quanto, para você, esse disco está diferente dos outros seis álbuns do Blur, principalmente por ser o primeiro CD depois da saída do guitarrista fundador da banda, o Graham Coxon?
    Albarn - Acho ele bem diferente, porque o Blur sempre procura ser diferente disco a disco. Embora você sempre saiba que está escutando um trabalho do Blur. [Pensando muito] É claro que sem ele a banda perde um pouco de sua essência. Graham e eu trabalhamos juntos por muitos, muitos e muitos anos. Ele saiu porque ficou frustrado, já que o Blur não caminhava na direção musical que ele queria. É compreensível que ele tenha optado por sair, mas isso não significa que não podemos fazer um disco juntos no futuro.
   
    Folha - Quem gravou as guitarras de "Think Tank"?
    Albarn - Fui eu mesmo. E posso dizer que não foi fácil. Mas acho o resultado final aceitável.
   
    Folha - De onde veio a idéia de gravar o álbum no Marrocos e como foram as gravações?
    Albarn - Isso surgiu na época em que fui para Mali, também na África, trabalhar em um disco no ano passado ["Mali Music", lançado em abril com músicos malineses]. Acabei indo a um festival em Marrocos, em maio. Conheci muitas pessoas interessantes lá e fiquei atraído pelo lugar ao ver 50 mil árabes reunidos em um evento musical com todos os seus costumes, numa música pop carregada de sabor arábico.
    O que mais me atraiu era traçar um paralelo com o que eu estava vendo e ouvindo ali com o que estou acostumado a presenciar na Inglaterra, por exemplo. Queria trazer aquele clima para o disco do Blur. Acho interessante esse cruzamento de culturas para música. E acho mais interessante ainda uma tentativa cruzamento de culturas mais abrangente para melhorar essa tensão mundial burra.
   
    Folha - Como foi trabalhar com Norman Cook (o DJ Fatboy Slim) na produção de "Think Tank"?
    Albarn - Ele é um grande amigo, então o clima no estúdio estava mais para reunião de amigos do que para trabalho. Na verdade ele só produziu duas músicas ["Crazy Beat" e "Gene by Gene"]. Não dá para chamá-lo de quarto membro do Blur, mas sinto que o dedo de Norman vai fazer essas músicas virarem hits.
   
    Folha - Existe algo acertado sobre ele remixar alguma faixa do disco, para botar em algum lado B de single e trazer o Blur mais perto da música eletrônica?
    Albarn - Pode acontecer. Mas o Blur já está bastante eletrônico, não?
   
    Folha - Alguns jornalistas ingleses, que já ouviram "Think Tank", consideraram o disco "difícil", um "desafio" para os velhos fãs do grupo. O que acha dessa qualificação para o álbum?
    Albarn - Eu não tenho idéia do que eles estão falando. Por mais que o Blur traga elementos diferentes em seu som, é sempre Blur. É assim e sempre vai ser. Não há surpresa.
   
    Folha - Você lembra os shows do Brasil, em 1999? Foi de algum modo especial para a banda?
    Albarn - Nossa ida ao Brasil foi fantástica. Não me lembro muito bem dos shows. Mas a viagem em si, as pessoas que conhecemos, a vibração dos lugares e das cidades que visitamos eram muito especiais. Definitivamente vamos tocar no Brasil em breve, se "Think Tank" for bem recebido aí.
   
    Agora Damon comenta um pouco sobre algumas faixas do disco.
   
    "Out of Time"
    É a que escolhemos para ser nosso primeiro single. Não nos EUA, mas no resto do mundo. É uma música bem emotiva. Uma "love song" dedicada para aqueles que o seguram nos braços quando você está chorando.
   
    "Crazy Beat"
    Esta é uma canção supersônica. Tem claramente o dedo de Norman Cook, que trabalhou nela. É a música mais agressiva do disco. Rock, quero dizer.
   
    "On The Way To The Club"
    É uma apologia à minha ex-namorada, para todas as noites que passamos acordados, bebendo. É um pedido de desculpas para ela, na verdade, por me aguentar nas baladas.
   
    "Jets"
    Essa nasceu, na verdade, nas primeiras sessões de gravações do disco, ainda em Londres. Ela não tem essa influência arábica. É uma música livre, na qual nos redescobrimos como músicos. A letra foi feita no Marrocos, e fala sobre os aviões que voam muito alto na África por causa das altas montanhas. Voam tão alto que parecem cometas.
   
    "Battery In Your Leg"
    Foi a primeira canção a surgir para o novo álbum. É uma sincera canção de amor. Graham Coxon toca nela. Ficou marcada por ser a última participação de Graham no Blur.

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